☆... Havia um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo em que havia mais estrelas. Tempo em que as crianças brincavam sob a clarabóia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio de parede! Ele não media o tempo simplesmente: ele meditava o tempo. ...☆
☆... Sinto o crepúsculo nas minhas mãos. Não quero pensar, nem ser amado, nem ser feliz, nem recordar. Só quero sentir esta luz nas minhas mãos e desconhecer todos os rostos e que as canções deixem de pesar no meu coração e que os pássaros passem diante dos meus olhos e eu não note que se foram. ...☆
☆... Você. É, você. Você e seu jeito de me olhar quando eu abro a porta de casa. Você e suas blusas Hering sempre iguais. Você e seu jeito de mudar o canal cem vezes por minuto. Você e seu jeito tosco que às vezes me irrita. Você e suas manias engraçadas que me fazem rir. Você e seu coração que quase te engole. Você e seu jeito investigativo de olhar para o mundo, como se tudo fosse um filme. Achando planos. Ângulos. Luzes. Sombras. E me enquadrando no meio de tudo. ...☆