29 de abr de 2013

Conversa entorpecente...



☆...— Vem e me diz se tem algum motivo para isso tudo. Vem e me diz se tem um propósito por trás dessa bagunça. Eu senti saudades tuas. Na verdade, senti saudade de muita gente, mas guardei todo mundo apertadinho aqui dentro e deixei que me sufocassem.

— Bem sei que sufoca, moço. Entendo a entonação das palavras que vêm soltas, mas doloridas. Entendo a fragilidade que abrange a bagunça toda, tua birra em querer ser outro e depois partir para qualquer lugar, num canto que te alimente com prosa, poesia e vodka.

— A vida é uma mentira viciada em clichês e estereótipos baratos que me enjoam. Tem como fugir de tudo isso num universo paralelo totalmente alheio dessa vida mundana? Tem, mas até isso é proibido, até isso é insano e considerado crime. E me escondem no meio de umas paredes limpas e brancas e eu tenho vontade de fugir e rever as pessoas. E de todas elas, eu queria mesmo era me reencontrar.

— É possível, só depende de você. Não adianta blindar o riso se a alma anda baleada de insatisfação, não adianta. As paredes brancas bordam uma paz que não acomoda, nada preenche o vazio que castiga teu corpo. A fuga persegue tua mente, teu corpo vacila, cai, se atola numa saudade de tempos bonitos, de coisas que se perderam para sempre. A ausência mastiga os ossos, o corpo pede reencontros e o futuro se apressa querendo mostrar o novo.

— Só me diz que vai passar, hora ou outra. E vou terminar dizendo que o futuro não se apressa em nada. O tempo se arrasta feito lesma entediada e eu estou cansado de seguir nesse ritmo tedioso. Mas segue. Tudo segue. Lá e cá. Um dia, quem sabe? ...☆





☆☆...  Eduardo Monteiro e Ju Fuzetto  ...☆☆





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